Entre Parênteses

Eleições 2018 e o Potencial das Redes Sociais

Publicado em 27/03/2018 por Umbelino Lôbo

  Entramos em 2018 e escrevo essa breve reflexão com o objetivo de motivar você, leitor, a acreditar no potencial do processo eleitoral que ocorrerá nesse ano. Com isso, inicio afirmando que tenho uma visão otimista acerca do potencial que a internet possui frente à democracia. E, talvez, essa visão seja responsável pelo artigo que lhe apresento agora.  
 
  Por enquanto, os resultados das eleições (ainda) não serão frutos de um debate online. Não podemos esquecer que 44% da população brasileira não possui acesso à internet, assim como a distribuição regional daqueles que possuem acesso não é igualitária. Ainda vamos percorrer uma longa distância para aprendermos a lidar com a atuação de robôs e com o compartilhamento de fake news, por exemplo. Por fim, a produção de conteúdo ainda é realizada pelas grandes mídias tradicionais. Essa que está em 96% dos lares brasileiros (1). Entretanto, em 2014 e em 2016, as eleições brasileiras sentiram o impacto de ter aproximadamente 55% da população online (2). 
 
  Para 2018, com as mudanças proporcionadas pela reforma política (refiro-me aqui principalmente às mudanças quanto ao financiamento de campanha), espera-se que as redes sociais sejam capazes de munir os debates políticos. Não que se tornem somente cenário de atuação do ativismo político. A expectativa é que as redes sociais sejam termômetro e fonte de informação. Uma das razões é a diminuição de custos. Mas quero chamar atenção para o outro lado: a capacidade que a internet possui em popularizar a comunicação, reduzir fronteiras, criar conexões e proporcionar espaços de fala.  
 
  A participação política sempre foi um ponto de preocupação na democracia representativa. Ponto que se torna focal quando nos encontramos em um cenário de crise. A internet surge como alternativa. E em 2018, como um sopro esperançoso no caos democrático. Segundo Gomes (2011), nos trabalhos que envolvem a participação e o engajamento online as argumentações se concentram no distanciamento entre o modelo de governo representativo e a democracia direta (3). Esse distanciamento ocorre quando, no governo representativo, a participação do cidadão limita-se ao processo eleitoral. Outro ponto argumentativo é a falta de conexão dos representantes eleitos com a esfera civil, resultando em percepções vazias sobre os interesses e anseios populares. Todos esses pontos resultam, na visão de Gomes (2011), em uma conclusão simplista de que a democracia representativa reduz ao mínimo a participação política.  
 
  Gomes também atenta para a possibilidade de cairmos em um movimento “antirrepresentação”, o que é facilmente identificado no resultado das eleições 2014 e no período de pré-campanha atual. Para Gomes (2011), não serão essas bandeiras que solucionarão o problema da participação política. Nem mesmo a Internet. O interessante apresentado por Gomes é a concepção de que a participação política não se basta como princípio democrático, mas torna-se valiosa pela capacidade de beneficiar a sociedade em sua face política. 
 
  Ao pensarmos nos benefícios que a participação política é capaz de proporcionar, o ambiente online surge como alternativa com potencial para melhorar o sistema democrático. O surgimento das Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs, fomentou alterações na forma de comunicação e influenciou trocas sociais. A sociedade online gerou novas ideias de participação e inclusão política. Nesse sentido, encontra-se o maior benefício da Internet em práticas democráticas, como afirmam Mendonça e Pereira (2011) , que é a criação de espaços de troca que independem de tempo e espaço físico. E acredito que esse será o maior trunfo que as eleições de 2018 deixará para a sociedade (4).

Mariah Sampaio – Assessora e Mestranda pesquisadora do Centro de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Política do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital - INCT.DD

(1) https://ww2.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/
(2) https://ww2.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/
(3) GOMES, Wilson. Participação política online: questões e hipóteses de trabalho. In: Internet e Participação Política no Brasil, Porto Alegre: Sulina, 2011 Cap 1.
(4) MENDONÇA, Fabrino Ricardo. PEREIRA, Marcus Abílio. Democracia digital e deliberação online: um estudo de caso sobre o VotenaWeb. IV Congresso Latino Americano de Opinião Pública, Belo Horizonte, 2011.

Nossos Dias