Between Parenthesis

Brasília, março de 1964.

Publicado em 12/04/2018 por Umbelino Lôbo

Vim para Brasília em março de 1961 com 7 anos de idade. Meu pai veio um ano antes para instalar a Procuradoria do IAPI na nova capital. O IAPI – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários – era a autarquia federal responsável pela previdência social dos industriários. Havia o IAPC dos comerciários, o IAPB dos bancários e assim por diante. Todos estes institutos, no início dos anos 70, se juntaram para formar o INPS – Instituto Nacional de Previdência Social, hoje, INSS. A história da previdência social no Brasil é longa e cheia de bons e maus exemplos, mas isto fica para outro capítulo.

Viemos morar na SQS 410 e, junto com meus três irmãos mais velhos, estudar no Colégio Marista na 609 sul, era só atravessar a avenida L2, naquela época com uma pista só, e chegar à escola. Meu primeiro contato com a política foi no Marista, em agosto de 1961, por ocasião da renúncia de Jânio Quadros, às 3 da tarde, meu pai passou na escola para nos tirar da aula e levar a família para Goiânia pois haveria uma crise e não era seguro ficar em Brasília. Tenho a impressão que este período de férias fora de época durou pelo menos uma semana, o que foi ótimo. Na verdade, acho que minha vontade era que houvesse alguma coisa semelhante a cada dois meses, por exemplo, nada melhor que uma crise política para propiciar férias extras.

Durante o governo Jango, lembro-me de algumas crises que não chegaram a levar temporadas de férias fora de época. Nestas crises, era muito comum acompanhar meu pai e minha mãe numa ida ao supermercado para abastecer a casa de mantimentos e material de limpeza porque poderia haver desabastecimento.

Veio então o final de março de 1964 e o golpe militar, novamente, às 3 horas da tarde, meu pai passa na escola para nos tirar da aula e seguirmos para Goiânia, acho que foi uma semana ou dez dias de férias. O fato concreto é que em todas estas crises, apesar de achar ótimo as férias fora de época, eu perguntava muito ao meu pai o que estava acontecendo e tentava entender, começava a me interessar por ler o jornal e tentar acompanhar os acontecimentos da vida política. Ouvi pelo rádio, junto com meu pai, o Congresso Nacional eleger o Marechal Castello Branco como Presidente do Brasil. A votação foi nominal, o Primeiro Secretário do Senado chamava os parlamentares para ir ao microfone e votar. Contava-se à época que um dos deputados errou na hora de votar e em vez de dizer Castello Branco disse Cavalo Branco, a marca de seu whisky preferido, não sei se é fato ou maldade.

Antônio Marcos Umbelino Lôbo - Diretor Superintendente e Fundador da Umbelino Lobo Assessoria e Consultoria

Our Days