Dados e estratégias de RIG

Muito se tem discutido sobre a análise de dados nas atividades de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) e em como a tecnologia tem auxiliado nesse trabalho e mudado as atividades cotidianas do lobista. Essas novas ferramentas de análise dos dados trouxeram também a necessidade, por parte do profissional de RIG, de possuir habilidade de manipulação dessas informações.

É valido ressaltar que o dado, por si só, não fornece informação. É necessário realizar uma organização, interpretação e relacionamento com outras fontes de dados/informação para gerar insumos que possam trazer insights e conhecimentos para serem utilizados em uma estratégia.

Assim, as atividades de análise de dados passam a ser essenciais para o profissional de RIG, bem como o conhecimento de ferramentas que permitam a execução dessas tarefas, tais como Excel, Power BI, Tableu, Python, R, etc. Esses softwares permitem a manipulação dos dados, em especial, publicados por órgãos governamentais (Câmara dos Deputados, Senado Federal e Portal de Dados Abertos do Governo Federal, por exemplo).

Essas ferramentas permitem manipular dados (em pequenos ou grandes volumes), automatizar tarefas rotineiras e criar painéis com indicadores, facilitando as rotinas e personalizando as análises de acordo com um objetivo específico. A partir da publicação/divulgação dos dados, o profissional de RIG é capaz de responder perguntas como: Qual é o nível de produção legislativa? Como é a interlocução dos parlamentares com autoridades do Poder Executivo? Qual é a probabilidade de um projeto de lei ser aprovado? Qual é o parlamentar mais atuante nos temas de meio ambiente? Qual é o perfil da exportação brasileira?

A Administração Pública vem direcionando ações para práticas que se baseiam em dados e evidências como, por exemplo, as publicações do “Guia Prático de Avaliação Ex Ante” e o “Guia Prático de Avaliação Ex Post”, que visam auxiliar o processo de harmonização e coordenação das avaliações de políticas públicas no Poder Executivo Federal. Além disso, recentemente, o Governo Federal regulamentou as Análises de Impacto Regulatório (AIR) e de Resultado Regulatório (ARR), estabelecendo os critérios e metodologias que deverão ser utilizadas para identificar os impactos e riscos da regulação.

Essas medidas mostram como o governo está aprimorando o processo de políticas públicas, colocando a informação baseada em evidências no centro do debate. Com o aumento da restrição fiscal e da disputa por recursos públicos, o movimento de política baseada em evidências pode garantir a continuidade ou finalização dos programas governamentais. Nesse sentido, a qualidade do dado deve ser imprescindível para compor as avaliações, devendo ser estimulada – inclusive – pelo próprio governo, garantindo a transparência e a segurança dos dados públicos em tempo hábil. A qualidade do dado somada à rigidez da metodologia avaliativa reduz o risco de erro na análise, melhorando a eficiência da aplicação dos recursos públicos.

Mesmo que o profissional de Relações Governamentais não precise se tornar um analista de dados, é evidente que o conhecimento sobre os métodos e instrumentos ajudam a montar cenários, elaborar estratégias e inserir os dados dentro de um contexto de forma mais ágil, se comparado com um analista de dados sem experiência nas atividades de RIG. Essas atividades se tornam ainda mais relevantes quando inseridas em discussões sobre a formulação de políticas públicas, uma vez que o resultado da análise vai moldar o planejamento da política pública, afetando o resultado final pretendido.

Por Walysson Barros

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