Entre 30 de novembro e 12 de dezembro, lideranças, ativistas, políticos, cientistas, empresários e diplomatas estiveram presentes em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O objetivo é participar da 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28).

Mais uma vez, a Conferência ocorre como o principal espaço para o debate público em torno da causa climática, principalmente ao que diz respeito ao que foi firmado no Acordo de Paris.

Entre os assuntos que podem impulsionar o debate em torno de uma sinergia entre as nações, estão os conflitos no leste europeu e a Guerra na Faixa de Gaza. A garantia de alimentação, inovação frente às mudanças climáticas e ao aquecimento da terra, além do estabelecimento de fundos para a compensação de países pobres também são assuntos que evocarão discussões.

Até o momento, o Brasil esteve presente em painéis de alto nível, e apresentou os seus esforços em prol da redução do desmatamento em 2023, assim como projetos que serão desenvolvidos para a apresentação de resultados na COP 30, que ocorrerá no Brasil em 2025, com destaque para o Plano de Transição Ecológica, a Taxonomia Sustentável, projetos de transição energética e cidades mais verdes.

Esse material contará com os principais debates das viagens do presidente Lula antes e depois da COP 28 e da primeira semana de evento.

Lula viaja ao Oriente Médio

Arábia Saudita

O presidente Lula retomou as agendas internacionais na segunda-feira (27/11). Desde a cirurgia realizada no quadril, em setembro, o presidente esteve focado em questões internas.

Na viagem, Lula visitou quatro países em menos de uma semana: Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Alemanha. O principal compromisso foi a participação na Conferência do Clima das Nações Unidas (ONU), a COP 28.

No primeiro dia de visita a países do Oriente Médio (28/11), o presidente se reuniu com o Príncipe Herdeiro e Primeiro-Ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Os dois discutiram o fortalecimento das relações bilaterais, investimentos nas duas direções e oportunidades para empresas nacionais no país árabe.

Um dos pontos da conversa foi o investimento de US$10 bilhões que o Fundo Soberano Saudita planeja aplicar no Brasil. No leque de possibilidades, projetos na área de energia limpa, hidrogênio verde, defesa, ciência e tecnologia, agropecuária e aportes em infraestrutura conectados ao Novo PAC.

Ainda, a comitiva presidencial teve encontros bilaterais em Riade, na Arábia Saudita, onde apresentou projetos de investimento no Brasil com o objetivo de aumentar as relações comerciais e de parceria entre nossos países nos setores de infraestrutura portuárias, aeroportuárias, de energia, agricultura e também na indústria.

Como um dos resultados da missão do governo, a Embraer assinou três acordos de cooperação com o governo e empresas do país, nas áreas de aviação civil; defesa e segurança; e mobilidade aérea urbana. Estes acordos permitirão à empresa estabelecer diversas linhas de colaboração e iniciativas conjuntas, públicas e privadas, expandindo oportunidades de investimento e parcerias com a indústria local, além de incrementar exportações a partir do Brasil.

Em uma mesa redonda voltada a empresários e representantes de governo dos dois países, o presidente enfatizou os compromissos ambientais do Brasil com uma transição energética limpa e renovável, com a redução do desmatamento na Amazônia até o patamar zero em 2030 e as perspectivas de investimentos e crescimento no Brasil.

O presidente Lula ainda ressaltou que o Brasil já tem exemplos a mostrar ao mundo, com uma matriz energética em sua maior parte renovável e avanços significativos em alternativas a combustíveis fósseis e poluentes, como eólica, solar, hidrelétrica, além do potencial do hidrogênio verde.

Nos próximos anos, o Brasil estará sob holofotes internacionais ao receber alguns dos principais eventos, como as cúpulas do G20 e do BRICS, além da COP 30, agendada para 2025 em Belém, no Pará.

Fórum Econômico Brasil-Catar

Após passagem pela Arábia Saudita, Lula viajou ao Catar e discursou na quinta-feira (30/11) na abertura do Fórum Econômico Brasil – Catar: Oportunidades e Negócios, em Doha. O presidente reforçou o interesse brasileiro em estreitar relações comerciais com os catarianos ao mesmo tempo em que espera que o país do Oriente Médio diversifique sua pauta de investimentos no Brasil. No discurso, Lula ressaltou que enxerga boas oportunidades nos campos de defesa, aviação e autopeças.

Depois da participação no fórum, Lula fez uma visita oficial ao Emir do Catar, Xeque Tamim bin Hamad Al-Thani. Lula ressaltou que o Brasil pretende se consolidar como um dos protagonistas na transição global em curso rumo a uma economia sustentável.

Ainda, afirmou que a transição energética é nova oportunidade de repetir a história de sucesso nas áreas de energia de baixo carbono, reaproveitamento de resíduos, infraestruturas verdes e sociobiodiversidade.

Afirmou que o Brasil vai ser em breve um exportador de sustentabilidade e que o país possui imenso potencial nos setores de energia solar, eólica, biocombustíveis e hidrogênio verde.

Na conversa, o Emir afirmou ter interesse em ampliar os investimentos bilaterais, aceitou convite do presidente Lula para uma visita ao Brasil em 2024 e para auxiliar na Presidência brasileira do G20, que teve início na última sexta-feira (01/12).

O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, comandou uma apresentação a empresários e líderes do Catar na abertura do fórum. Rui apresentou os investimentos de US$ 347 bilhões previstos em infraestrutura via Novo PAC, destacou a Agenda Verde e como o país já trabalha na transição para uma economia sustentável, frisando oportunidades de investimento no país em áreas como ferrovias, rodovias, hidrovias, portos e aeroportos, além da perspectiva de recuperar 40 milhões de hectares para dobrar a produção de alimentos em dez anos.

COP 28

Discurso

O presidente Lula realizou seu primeiro discurso na abertura da conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 28, em Dubai, nos Emirados Árabes. Durante a fala, ele afirmou que gastos com armas deveriam ser usados contra a fome e a mudança climática, como o impacto climático afeta o Brasil e sobre a necessidade de ter uma economia menos dependente de combustíveis fósseis.

Lula afirmou que é hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis. O assunto também foi comentado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que afirmou não ser possível salvar o planeta com altas temperaturas “com uma mangueira de incêndio de combustíveis fósseis”.

O presidente ainda citou as mudanças climáticas e a seca na Amazônia, uma das mais trágicas já registradas.

Reunião com Organismos da Sociedade Civil na Cop 28

Durante os painéis na COP 28, o presidente Lula participou no sábado (02/12), do evento com representantes de 135 entidades da sociedade civil brasileira. A atividade foi organizada pela Secretaria-Geral da Presidência da República, com a participação dos ministros Márcio Macêdo; Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores.

Na ocasião, Lula ouviu os anseios e preocupações referentes à proteção dos territórios indígenas e quilombolas, conheceu uma proposta do Conselho de Juventudes pela Ação Climática e Meio Ambiente (Conjuclima) para a criação do Conselho Nacional pela Ação Climática e Meio Ambiente.

Em discurso, Lula destacou a importância da COP 30, que será realizada no Brasil em 2025 e ressaltou que o Brasil tem um papel importante a desempenhar na luta contra as mudanças climáticas, pois é um país com grande potencial para a produção de energia renovável.

Lula mencionou a necessidade de fortalecer a democracia no Brasil e reafirmou o compromisso do governo brasileiro com o desmatamento zero na Amazônia até 2030. Ainda, anunciou um programa de recuperação de 40 milhões de hectares de terras degradadas no país.

Lula concluiu seu discurso destacando a importância da luta dos movimentos sociais para a construção de um Brasil mais justo e sustentável.

Evento sobre Florestas na COP 28

Ainda no sábado (02/12), o presidente Lula participou do Evento sobre Florestas: Protegendo a Natureza para o Clima, Vidas e Subsistência. Na ocasião, havia uma previsão de o presidente discursar, mas ele quebrou o protocolo e chegou ao palco acompanhado da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a quem fez questão de passar a palavra. A ministra destacou que o compromisso de Lula com a preservação e proteção das florestas começou logo no primeiro dia do terceiro mandato.

A ministra também ressaltou que a política ambiental adotada pelo país neste ano foi responsável por grande redução do desmatamento da Amazônia. Ainda, destacou que o país adota hoje uma transversalidade no que diz respeito às políticas voltadas para a gestão da questão ambiental e que o desenvolvimento sustentável que protege a floresta está protegendo biodiversidade, água, cultura.

Reuniões Bilaterais em Dubai

Durante a COP 28, o presidente manteve diversas reuniões bilaterais. Em conversa com o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, Lula tratou do papel do Brasil na Presidência do G20 e como a ONU pode ajudar nesse processo. O país assumiu nesta sexta-feira, (01/12), o comando do bloco das principais economias mundiais pela primeira vez. Ainda, o presidente brasileiro discutiu o papel das instituições de governança global no novo cenário geopolítico e ressaltou a importância de uma reforma do ONU, em especial do Conselho de Segurança.

Lula ainda esteve presente com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen. Os dois vêm tratando da possibilidade de selar o acordo entre Mercosul-União Europeia desde o início do ano, em conversas pessoas e virtuais e afirmaram que houveram avanços significativos nas reuniões entre equipes técnicas dos dois lados.

Adicionalmente, Lula e Von Der Leyen trocaram impressões sobre o conflito no Oriente Médio.

Lula viaja à Alemanha

Após participação na COP 28, o presidente Lula foi até a Alemanha, onde manteve encontros com o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, com a chefe do Conselho Federal Alemão, Manuela Schwesig, e com o chanceler do país, Olaf Scholz.

Em reunião com presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em Berlim, o presidente alemão agradeceu, em nome da Alemanha e do mundo, a retomada da proteção do meio ambiente e da Amazônia com as políticas adotadas desde janeiro de 2023 pelo Governo Federal.

No encontro com a presidenta do Conselho Federal da Alemanha, Manuela Schwesig, foi discutido o estágio atual de retomada da cooperação entre os dois países, ressaltaram os investimentos em bioenergia e reforçaram a importância da democracia.

Lula também se reuniu com chanceler alemão, Olaf Scholz, onde assinaram declaração conjunta de intenções para realização de projetos que visam uma transformação ecológica socialmente justa, com projetos que gerem emprego e renda no Brasil e ampliem janelas de cooperação entre empresários dos dois países.

Após a participação na II Reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível Brasil-Alemanha, Lula e Olaf fizeram declaração conjunta à imprensa na qual confirmaram o alinhamento em temas diversos, como a promoção de industrialização verde, agricultura de baixo carbono, a bioeconomia e a meta de desmatamento zero até 2030.

Lula afirmou que os acordos na área ambiental reforçam uma parceria robusta entre os países, que inclui o Fundo Amazônia e outros projetos. Os dois líderes mencionaram ainda as tratativas com relação a medidas que reforcem a democracia e o estado de direito, que incluem um declaração conjunta sobre integridade da informação. Ainda, listou tratativas nas áreas de saúde, ciência, tecnologia e inovação, além daquelas ligadas à agricultura, energia, bioeconomia, meio ambiente e mudança do clima.

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