Plano Estratégico da Petrobras 2024 – 2028

A Petrobras é uma sociedade de economia mista sob controle da União que atua nas áreas de óleo, gás natural, derivados e energia. A companhia integra a estrutura organizacional do Ministério de Minas e Energia e possui expertise na retirada de petróleo e gás de águas profundas e ultraprofundas, etapa conhecida como Exploração & Produção. Além disso, é responsável pelo transporte de petróleo e gás para as refinarias e unidades de tratamento de gás natural, bem como armazenamento, movimentação e comercialização desses insumos.

Nesse sentido, seus direcionadores estratégicos são:

  • Atenção total às pessoas;
  • Foco em ativos rentáveis de exploração e produção, com descarbonização crescente;
  • Ênfase na adequação e aprimoramento do parque de refino;
  • Busca pela transição energética justa;
  • Aproveitar as diferentes potencialidades do Brasil.

Sua diretoria é composta por um presidente e oito diretores executivos eleitos pelo Conselho de Administração, com mandato de até dois anos, permitidas, no máximo, três reeleições consecutivas.

Em 26 de janeiro de 2023, Jean Paul Prates foi eleito Presidente da Petrobras por unanimidade. A autoridade foi indicada pelo Presidente Lula e na época teve que abdicar de seu cargo como Senador da República, uma vez que seu mandato se encerrava no dia 31/01/2023.

Em abril de 2023, a diretoria aprovou uma mudança na estrutura organizacional da empresa para criar a Diretoria de Transição Energética e Energias Renováveis, que ficou responsável pelas atividades de descarbonização, mudanças climáticas, novas tecnologias e sustentabilidade. Nessa mesma reestruturação, a Diretoria de Inovação e Transformação Digital foi extinta e suas funções foram repassadas a outras diretorias. Posteriormente, em novembro de 2023 foi divulgado o Plano Estratégico 2024-28+, que pode ser acessado na íntegra por meio do link.

O presidente

Jean Paul Terra Prates é advogado, economista, ambientalista e empresário. Além da graduação em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é mestre em Economia e Gestão de Petróleo, Gás e Motores pelo Instituto Francês do Petróleo e mestre em Política Energética e Gestão Ambiental pela Universidade da Pensilvânia. Tem 55 anos e exerceu seu primeiro mandato como senador em 2019, assumindo o cargo por ser suplente da ex-senadora Fátima Bezerra. Durante seu mandato, foi autor e relator de projetos de lei na área de combustíveis, como o PL da estabilização dos preços de combustíveis. Ademais, foi presidente do Sindicato das Empresas de Energia do Rio Grande do Norte e do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia. Trabalhou na regulação dos setores de petróleo, energia renovável, biocombustíveis e infraestrutura nos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula. Além disso, foi secretário de Estado de Energia e Assuntos Internacionais do Rio Grande do Norte. Prates participou da assessoria jurídica da Braspetro, em 1991 e fundou a primeira consultoria brasileira especializada em petróleo. Em 1997, participou da elaboração da Lei do Petróleo. Foi reconhecido como uma das 50 personalidades mais importantes do setor energético mundial pelas revistas Recharge e WindPower.

PE 2024-28+

O Plano Estratégico 2024-28+ apresentou a revisão das métricas e estabeleceu os principais objetivos organizacionais da Petrobras. Das métricas estabelecidas, duas são correlacionadas à temática Ambiental, Social e Governança (ASG), o indicador de atendimento às metas de gases de efeito estufa (IAGEE) e o indicador de compromisso com o Meio Ambiente (ICMA), que considera o volume vazado de óleo e derivados.

Entre as metas ASG, destacam-se:

  • Estar entre as três empresas de Óleo e Gás mais bem colocadas no ranking de Direitos Humanos até 2030;
  • Promover a Diversidade, aumentando para 25% o percentual de mulheres e para 25% de pessoas negras em posição de liderança até 2030;
  • Implementar 100% dos compromissos do Movimento Mente em Foco do Pacto Global da ONU até 2030.

Além dos novos direcionamentos estratégicos, o documento aborda:

  • Fortalecimento da governança
  • Nova Política de Remuneração aos acionistas
  • Entrega de valor aos acionistas
  • Estratégia comercial
  • Recordes de produção

Na parte de investimentos, eles serão realizados preferencialmente a partir de recursos próprios decorrentes das operações da companhia.

O documento apresenta a expectativa de redução de demanda no setor de transporte e aumento no petroquímico, bem como aumento da participação dos veículos elétricos na frota mundial.

Mesmo com esse cenário de menor demanda global, ainda há a exigência de investimentos em Exploração e Produção. Nesse sentido, a previsão é de que o pico da capacidade de produção seja alcançado em 2028. Por outro lado, a conjuntura indica que os renováveis ultrapassarão os fósseis na matriz energética mundial em 2050.

A Petrobras argumenta que é possível gerar valor para a sociedade com investimentos em óleo e gás e na transição energética, baseado em expertise tecnológica e gestão de projetos. Assim, sua proposta de valor é dividida em três partes. A primeira parte, focada em produção de óleo e gás crescente no curto prazo e valor na integração, envolve: produção em águas profundas e ultraprofundas com resiliência econômica e ambiental; projetos de produção com altos retornos e baixos breakevens; e integração no downsteam.

Já a segunda parte foca na disciplina de capital a partir de: controle do endividamento como prioridade; sólida governança nos processos decisórios; e distribuição do valor gerado por meio de dividendos e buybacks. A última parte salienta a diversificação com valor em negócios rentáveis de baixo carbono, priorizando parcerias. Ainda sobre governança, o Plano estabelece que os projetos em avaliação somente passarão a integrar carteira em implantação quando aprovados nas instâncias decisórias. Além disso, a aprovação também é contingente à manutenção dos limites de alavancagem.

Exploração & Produção

A estratégia do PE 2024-28+ para a etapa de Exploração & Produção determina:

  • Maximização do valor do portfólio;
  • Foco em ativos rentáveis;
  • Descarbonização das operações;
  • Reposição de reservas;
  • Aumento da oferta de gás;

Novas fronteiras. Entre as previsões, para a Bacia de Campos há a expectativa de que 40% da produção em 2028 virá do pré-sal, com 200 novos poços a interligar, 4 novas unidades de produção e US$ 22 bilhões de investimentos em projetos.

Já para a Bacia de Santos, a expectativa é de que 99% da produção em 2028 virá do pré-sal, com 9 novas unidades de produção até 2028 e US$ 41 bilhões de investimentos em projetos. Em relação aos investimentos em exploração, há a previsão de 50 novos poços entre 2024 e 2028, sendo 25 em bacias do Sudeste, 16 na Margem Equatorial e 9 em outros países. Como consequência, parte de operações irá aumentar a recuperação de petróleo e gás por meio do gerenciamento de reservatórios e do uso de tecnologias. Atualmente, 91 ativos já estão em fase de produção e 53 em fase exploratória.

Engenharia, Tecnologia & Inovação

A estratégia do PE 2024-28+ para o tópico de Engenharia, Tecnologia e Inovação é baseada em três pilares principais:

  • Parcerias Mercado Fornecedor;
  • Busca por eficiência;
  • Inovações Tecnológicas.

Dessa forma, o Plano sugere uma visão integrada da cadeia de suprimentos, com mapeamento da cadeia de valor das energias renováveis, engajamento da base de fornecedores e prospecção de oportunidades.

Entre as ações em andamento, salienta-se a adição de 14 Unidades Flutuantes de Armazenamento e Transferência (FPSOs) entre 2024 e 2028, dos quais 10 já estão contratados.

Para a carteira de inovações, as prioridades são linhas de sistemas de superfície, sistemas submarinos e poços. Contudo, o pré-sal continua respondendo por 67% dos investimentos da companhia.

Refino, Transporte & Comercialização

A estratégia para Refino, Transporte e Comercialização é ofertar produtos de baixo carbono e otimizar a cadeia produtiva maximizando o valor dos ativos, tornando-se a melhor opção para os clientes.

Assim, o Plano defende que atender o mercado nacional é a melhor forma de monetizar as reservas de petróleo e viabilizar crescimento em biocombustíveis, principalmente tendo em consideração que o Brasil é o 8° maior consumidor de derivados de petróleo do mundo.

A matriz energética brasileira é baseada em insumos renováveis, revelando também aptidão para investir em biorrefino visto a disponibilidade de matéria-prima local.

Nesse sentido, um dos objetivos é de que o Parque de Refino Nacional esteja entre os melhores do mundo em eficiência operacional e energética até 2030. Outra ação a ser implementada é a ampliação do Programa RefTOP, que tem o objetivo de posicionar a Petrobras entre as melhores companhias refinadoras de petróleo do mundo em eficiência energética e desempenho operacional.

Por outro lado, a Petrobras observa que o Brasil é um país superavitário em petróleo e deficitário em derivados. Sendo assim, a previsão é investir na expansão e melhoria do parque industrial com foco em produtos de alto valor agregado e baixo carbono, além de ampliar a venda de produtosjá lançados.

Para atingir tal previsão, a intenção da empresa é aumentar a capacidade de processamento, aumentar a capacidade de produção de Diesel S-10, desenvolver o mercado voluntário de DIESEL R com atuação junto às distribuidoras, e investir em biorefino, lubrificantes e fertilizantes.

A empresa defende o fortalecimento da logística como diferencial competitivo e de integração. Com isso, a previsão é ampliar e adequar a infraestrutura logística, ampliar os modais de atuação e formas de contratação, enquanto garante a eficiência operacional. Em relação aos modais de atuação, há a expectativa de ampliar o programa de construção de navios, que tem a finalidade de atender à demanda do sistema Petrobras, garantindo confiabilidade operacional e geração de valor no segmento de cabotagem

 Também são destacados dois projetos para a carteira de logística:

  • Oleoduto São Paulo-Brasília (OSBRA): Ampliação de tancagem e adequações para aumento da capacidade de entrega de produtos de mercado. A entrada em operação está prevista para 2025.
  • Oleoduto Barueri-Utinga (OBATI): Continuidade operacional com realocação do duto em nova faixa. A entrada em operação está prevista para depois de 2028.

Descarbonização, Gás & Energias De Baixo Carbono

O PE 2024-28+ aborda ao longo do documento a preocupação com a descarbonização e o baixo carbono.

Considerando o pico esperado de produção de fósseis no início da década de 2030, a perspectiva é ampliar a oferta de combustíveis renováveis por meio do aumento da capacidade de biocombustíveis.

Outro ponto mencionado no Plano é incentivar a eletricidade renovável em integração com termeletricidade, tendo em perspectiva de que 50% da capacidade total de geração elétrica seja por meio de fontes renováveis até 2030. Em complemento, os principais compromissos para reduzir a pegada de carbono são:

  • Não ultrapassar o patamar de 2022 entre 2024-28 para emissões absolutas operacionais;
  • 100% dos novos projetos adotarem conceitos de zero flare de rotina;
  • Implementar o maior programa de reinjeção de CO2 offshore do mundo.

Além das metas apresentadas, há o intuito de fomentar o Programa Carbono Neutro que busca identificar e viabilizar as melhores oportunidades de descarbonização do portfólio. Assim, a avaliação de negócios é pautada em desenvolvimento do mercado brasileiro, maturidade tecnológica e aderência às atuais competências operacionais.

Também estão previsos estudos de projetos de hidrogênio no Brasil, o projeto piloto de captura com utilização de carbono (CCUS) e expansão dos projetos de biorrefino, focados em bioquerosene de aviação (BioQAV) e Diesel R

Gás Natural

Para o setor de gás natural, o Plano declara uma atuação competitiva e integrada, com eficiência operacional e uma carteira otimizada de ativos.

O gás natural é visto pela companhia como um instrumento que garante segurança na inserção de fontes renováveis. Assim, há a previsão de ampliação da infraestrutura e portfólio de ofertas para atuar de forma competitiva na comercialização de gás natural. Nesse sentido, há a expectativa de uma maior abertura do mercado para atender distribuidoras e consumidores.

Até o momento, foram divulgados os seguintes projetos prioritários e seus anos de implementação:

  • 2024: Projeto Rota 3, que tem o objetivo de ampliar o escoamento de gás natural dos projetos em operação na área do pré-sal da Bacia de Santos.
  • 2028: Projeto BMC-33, que é um consórcio realizado entre Equinor, Repsol Sinopec e Petrobras para que a produção por poços seja conectada a uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) localizada no campo, com capacidade de processamento e especificação para venda do óleo condensado e do gás produzidos. Em resumo, seu objetivo final é ser um fornecedor para o mercado de gás doméstico, contribuindo para o desenvolvimento industrial e para a segurança energética nacional.
  • 2028+: Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), que tem o objetivo de instalar uma nova plataforma de produção localizada na Bacia de Sergipe-Alagoas. A operação foca em ativos em águas profundas com potencial de geração de valor, resiliente a cenários de baixos preços de petróleo e com baixa emissão de carbono por barril produzido.

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